São 02h00 AM. Exausto e pronto a enfrentar o teste decisivo: entrar no Ruanda sem visto. Começo a perceber que terei levado a ousadia (insensatez será mais apropriado) longe demais. Ok, admito: estupidez. No estado mais puro e cristalino. Em Lisboa foi por um triz. Por meio pelinho em Istambul… Confiava no ‘não há duas sem três’. Mas também há o ‘ à terceira é de vez’… O aeroporto de Kigali é minúsculo. Saímos do avião. Caminhamos 30 metros. Entramos em edifício e é logo nessa sala que devemos prestar contas. Preencho papéis de entrada e preparo-me para pagar o visa… “O papel com a confirmação do visto? Sem isso, vai para trás no mesmo avião”, diz o agente. Com uma secura que não deixa dúvidas. É apenas um a fazer a triagem. Vai fitando todos nos olhos. Como que em busca de um qualquer segredo escondido. Vai ser complicado… Afasto-me e finjo que procuro a folha que digo ter perdido. Volto minutos depois. Peço que confirme a autorização através do meu passaporte, mas sem êxito. A burocracia não está ligada informaticamente. Ganho tempo para avião levantar para o Uganda. Se correr mal, pelo menos tenho algum tempo para plano b. Antes de ser devolvido. Diz-me para usar a internet no tablet para aceder a autorização. O problema é que nem o número do processo tenho. Toda a gente saiu. Menos nós. Tento estratégia mais pessoal. Aberta. Digo-lhe que venho por bem. Não mostrei papéis em Lisboa, nem em Istambul. Em Portugal, por desconhecimento de causa, salvos in-extremis pela cópia do pedido de visto de Bill Sorridente, em vez da necessária autorização. Quando travados no embarque na Turquia, o mesmo expediente milagroso. Desta vez com a confirmação do visto de Bill. Não mostrei o meu com o pretexto de que não tenho wifi e não guardei o documento no ambiente de trabalho como o meu amigo. Fico avisado de que a polícia me vai exigir o documento à entrada. E é assim que, em bom português, estou completamente entalado. Apelo novamente ao computador e passaporte. Nada feito. É tarde e ambos queremos ir dormir. Confesso que já vejo o pior. O pesadelo em África ainda nem começou… É então que começa a perguntar por mim. Emprego. O que faço na vida. Se tenho forma de o comprovar. Quem se afoga, agarra-se a qualquer coisa. Não deixo escapar a oportunidade que se começa a desenhar. Não há dúvida de que a sorte ultrapassa amplamente o juízo. E dei com alguém com… ‘bom senso’. Minutos depois, abandonamos o aeroporto. Deserto. São quase 03h00. Estamos no Ruanda….

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on pinterest
Pinterest

Explore mais

Lançamento livro

“BORN FREEE – O Mundo é uma Aventura”

Este é o primeiro livro de um autor português, Rui Barbosa Batista, que nos leva a viajar por mais de 50 países, dos cinco Continentes, não em formato de guia, mas antes em 348 inspiradoras páginas, 24 das quais com fotografias (81).