A sorte ter-se-á espalhado do meu pé esquerdo como um vírus. Chegamos a Yerevan à hora de jantar e a cidade parece bem mais atrativa do que o esperado. Impressão que se confirmaria.
A opção de estadia foi arranjar um amplo apartamento. Reunir o grupo no mesmo espaço, promovendo  interatividade mais intensa. A morada está correta, porém há três entradas no grande edifício e nenhum dos vizinhos sabe do que estamos a falar.
As fotos no booking.com mostram um apartamento moderno… e não bate certo. Aquele para o qual estamos a olhar não tem propriamente o melhor dos aspetos. É antigo e está visivelmente degradado. Os taxistas que nos transportam tentam ajudar.
Estou sem internet… e acabo de ficar sem bateria no tablet. Nem sequer tenho como contactar os donos. Entro em bar, desço à cave e duas jovens ajudam-me a resolver ambos os problemas. 10 minutos depois, temos o anfitrião connosco. Na verdade, é uma empresa. E verificaremos que o apartamento é tipo um anexo, realmente moderno e com todas as prometidas comodidades. Like it!
Não perdemos tempo e vamos em busca de sustento. O próprio funcionário faz a recomendação: “Yerevan Tavern”. Só o nome, deixa água na boca. E está a escassos minutos a pé. Nem há que pensar em plano B.
A cave é interessante. E os pratos nas outras mesas têm aspeto agradável. Os preços não nos empurram para outra opção. Começa a chover. Não precisamos de mais sinais divinos para ficar.
As nossas escolhas mantêm o bom ar. Pecam é no sabor. E quantidades. Esta será a única refeição da qual nos queixaremos neste périplo. E, para que tudo seja perfeito, os funcionários primam por antipatia genuína. Que chega ao cúmulo de lhes fazermos notar que há engano na conta, com dois itens a mais, e a correção vir ainda mais cara do que a original. Retiraram o indevido, mas mudaram o imposto de cinco para 10 por cento. Não nos apanham, claro.
Pago ao balcão, onde a “simpatia” é ainda mais autêntica. Quer que confirme o código sem sequer me mostrar o valor que vou pagar. Exijo ver. Não gosta. Paciência. Não é meu problema.
“Experimente sorrir. Vai ver que não custa nada e os clientes agradecem”, atiro-lhe. Com o mesmo ar enjoado que nos dirige.
Viramos costas e regressamos ao apartamento. O dia seguinte promete ser exaustivo..

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