O gps indica 133 quilómetros para Goris, onde passaremos a noite. Olho para Noravank por uma última vez e fixo-me na beleza natural que nos conduz à estrada “nacional”. O desfiladeiro, o curso de água, a terra barrenta, as aves…
Há dois homens semidespidos em pesca artesanal num rio que já será regato. Com água abaixo dos joelhos, estão no meio do leito e atiram a rede consecutivamente. Puxam-na de seguida na esperança de que algum fresco proveito.
Depois vamos encontrando gado. Bovino e caprino. Invadem a estrada. Tomam-na como sua. Despreocupadamente. Nestas paragens, excesso de velocidade tem muito por onde correr mal.
As paisagens ganham contornos mais verdes. O relevo atinge níveis mais elevados, mas as linhas são mais suaves. Cruzamo-nos com a Rota da Seda na Arménia. Um dos múltiplos caminhos que ligavam, por terra, Oriente ao Ocidente. É lugar ventoso. Ermo. Imagino séculos de caravanas que fizeram história. Certamente, uma região com vida, que agora só a parece ter a espaços.
A reserva Spandarian espalha azuis envolventes na paisagem. Os Ladas são o único vestígio humano por estas bandas. E algumas aldeias perdidas no tempo. Condições sub-humanas que aqui vestem de normalidade. A Arménia não é propriamente o suprassumo do desenvolvimento.
Sisian está nos planos. Pouco antes de Goris. Ainda temos luz e tempo para a tentar explorar. O caminho complica. E o desvio não foi das melhores ideias. Efetivamente, pouco há de novidade. Os seus 15.000 habitantes pouco terão de fazer na cidade. As principais atrações estão fora. Lá iremos…
Não demasiadas curvas depois, Goris anuncia-se na distante montanha. Espraia-se encosta abaixo. Chegaremos do alto, pelo que temos miradouro a mostrar-nos o que nos espera. Sorrimos. Vamos gostar.
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