Das imponentes fortificações da Cidadela, uma vista deslumbrante para o caótico Cairo. 180º de cenário dengosamente caótico. Uma espessa atmosfera que espelha bem os 25 milhões que diariamente dão vida à mais populosa metrópole de África.
O dia ainda tarda a desfalecer. As cores são quentes. Como a temperatura. Colam aos nossos sentidos. Apetece ficar. Congelar. Ouvir o chamamento dos muezim. Deixar o tempo correr…
Não precisamos fixar o horizonte para encontrarmos alguns dos mais belos e imponentes edifícios da capital. Logo ali, a nossos pés, destacam-se as imponentes mesquitas do sultão Hassan e a de ar-Rifai, separadas por 450 anos na sua construção.
Mais uma vez, estamos sós. Não há turismo. Apenas locais. é lugar de namoros tímidos. Pretensos casais falam. Elas, de lenço na cabeça. Eles, com olhar igualmente apaixonado. Não há contacto físico. Mas há dedos que se aproximam.
Um raro privilégio esta visão do primeiro balcão. Assinaláveis obras do génio humano. Mesmo na ponta do meu nariz, 150 metros de templo com minarete que se ergue aos 68 metros. 658 anos de rica história sob pelicula desbotada. Nada como enfrentar a turbulenta estrada pa
ra ir explorar.
A construção foi financiada com o dinheiro da venda das propriedades das vítimas da peste negra. Corria o ano de 1356. O sultão “artista” já não era muito bem visto… e perdeu ainda mais na popularidade. Seria assassinado dois anos antes do fim da obra, cuja construção motivou várias vítimas.
Estamos no pátio central. Um lugar de excelência para meditação. Além de nós, apenas mais cinco pessoas. O Cairo parece ter-se preparado apenas para estes sete portugueses. Surpreende-nos e abre-nos as portas para um Egito ainda mais vasto, amplo e sedutoramente ávido por nos receber….
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