– “Vais com o Anacleto até à casa do Miguel, pois há lá um ensopado de borrego que não podes perder. Eu vou ao trabalho e já lá apareço”.
A instrução de Gabriel é simples e lá fui. Meros 15 minutos depois de deixar o pouco seguro terminal de táxis – à noite, é ainda mais perigoso – já estou na nova casa do Miguel, mais um madeirense bem-sucedido na África do Sul. Está lá o irmão, mulher, filhos e amigos. Aquele petisco é mesmo um mimo. Um must…
Entretanto, saímos e encontrámos outros madeirenses que já sabiam da minha presença.
– “Então você é que é o jornalista que nos veio visitar? Está a gostar disto? O que achou da seleção? O Queiroz vai embora? O Cristiano Ronaldo foi uma decepção. Estamos todos muito tristes com a seleção, pois fizemos milhares de quilómetros para os ver e nem sequer se dão ao trabalho de nos acenar”.
A lengalenga é invariavelmente a mesma e as minhas respostas também não variavam muito.
No meio deste regresso a ‘casa’ é possível sentir a humildade, franqueza, saudade e indomável vontade de ajudar revelada por todos os emigrantes. Até para me arranjar boleia no dia seguinte para Joanesburgo (já só tinha autocarro às 04:00 ou à tarde, o que me impediria de ir ao Soccer City ver a final do Mundial2010) se desdobraram em contactos na comunidade. Todos foram de inexcedível delicadeza e atenção para comigo, algo que me sensibilizou profundamente.
– “Vai ter de voltar, mas com mais tempo”, ouço, regularmente. Certamente que voltarei!
O jantar está ótimo, os portugueses que conheço são fantásticos e fica o desejo de prolongar a estadia, algo impossível derivado do programa de festas para os dias que ainda me restam em África.
Santos e o seu sobrinho da Venezuela são o que vulgarmente apelidados de ‘marados’. À falta de boleia para Joanesburgo, decidem-se por ir à final do Mundial. Sem bilhetes. Levam-me ao palco da final onde, cada um, pagou 650 dólares para comprar um bilhete na candonga e ver o jogo. Grandes malucos!!

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