A felicidade tem múltiplas razões, nem todas percetíveis. Há motivos intrínsecos e externos a influenciar esse sentimento que todos perseguem. Começam nos genéticos e acabam nas opções de vida. E há uma paleta de (discutíveis?) razões pelo meio.
A soberba biblioteca de Chicago exibe um criativo e interessante trabalho sobre o tema. “The Happy Show”, de Stefan Sagmeister. Não tem a pretensão de nos fazer mais felizes, antes de nos dar, de forma singular, dados sobre o que nos rodeia e como isso nos tem influenciado.
A Windy City é, em si, uma alegria. E esta exposição encaixa perfeitamente no espírito e atitude de Chicago. Uma cidade que alia, como poucas, história e modernidade. Uma metrópole com alma bem peculiar. Dizem que, tal como NY, também não dorme. Sobre isso, algumas dúvidas. Sérias, na verdade.
Moldada por trabalhadores, visionários, gangsters e empreendedores, com um singular espírito Democrata em estado (Ilinóis) que respira Republicano nas zonas rurais. Uma ilha. Sui generis nos Estados Unidos.
O concorrido porto, as parcas praias e os parques são bons locais para investir tanto em tempo como em curiosidade. Qualquer espaço verde é, na realidade, explorado ao máximo pelos locais. Uma espécie de vida “outdoor” em plena selva urbanística.
Para os gastadores, Chicago reservou a “dream mile”. Múltiplas e diversas lojas que satisfazem o capricho mais exigente. Fiz o teste (sem comprar). Confirmou-se e superou as expectativas.
Ter carro pode ser boa dor de cabeça. De dia, não nos aventuramos na cidade (o preços dos parques é simplesmente pornográfico), excetuando uma noite a experienciar a vida da “cidade velha”. Respiramos longe de competitivas torres.
Aqui, nesta outra urbanidade, a polícia confirma que podemos estacionar em determinado local. Duas horas depois vemos que esse “palpite” nos custa 100 dólares. Não vimos (culpa nossa) o acesso a boca-de-incêndio. Thanks a lot!
Um mercado com expositores de comida de vários países anima a baixa. Tal como as danças tradicionais que grupo polaco exercita, agora com animados voluntários. Evento que nos mostra – se preciso fosse – que os olhos devem andar ao nível do corpo e nem sempre na lua…
É assim, de frente, que podemos apreciar estátuas de famosos, como Picasso.
Numa rua os transeuntes são desafiados a rapidinhas partidas de xadrez. Podem escolher o oponente ou até continuar o jogo que outro teve de deixar. Noutra, uma estação de televisão transmite jogo de golfe, com os comentadores, em direto, num estúdio separado por um mero vidro do concorrido passeio. Só a nós chamou a atenção.
A Union Station é monumento que vale bem uma visita. O edifício histórico impõe respeito e cria impacto. E há formas de o saborear sem muitas testemunhas.
Os artistas de rua acreditados pela autarquia sucedem-se. Tina Turner fica-nos na retina: “Simply the best”. E fez por isso. Extremas parecenças físicas. Postura corporal perfeita. E uma voz… apenas a anos-luz da original, mas abafada pela música.
Relaxamos junto a um parque privado… para cães. Agradável para estes e seus donos. Um ponto de encontro para as pequenas (ou nem tanto) criaturas, que invariavelmente socializam com o olfacto…
Veterano de ascendência africana conduz carrinha com altifalantes que proclamam que Deus já não abençoa a América. Recorda que a vida é breve e devemos estar reconciliados com o “criador”. A solução é “proclamar o gospel por todas as nações”. Para no semáforo. “Claro, DEUS! Agora entendo tudo!”, vocifera pacato cidadão de uns 30 anos, assustando a vasta, embora impávida companhia na paragem de autocarro. Teremos sido os únicos a rir-nos com o seu sonoro e inesperado desabafo…
Em Chicago, tal como em toda a América, tudo é possível. E normal..

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