Deixamo-nos guiar pelo som. Em minutos, estamos onde devíamos. Rodeados por árvores. Verde. Frescura. No olhar e audição. Ali estão elas. As cascatas.
São como que um começo. Na verdade, um recomeço. Uma viragem da viagem, agora mais profundamente na natureza, que no Michigan se apresenta deslumbrante. Aqui, no norte, na fronteira com o Canadá, multiplicam-se os entusiasmantes parques naturais.
Com anormal frequência, carros transportam caiaques, bicicletas e até pequenos barcos a motor. O verão está aí e há que saboreá-lo na plenitude. Estamos no espírito.
Tínhamos começado por uma lagoa junto à estrada. Serena, rodeada de luxuriante vegetação. Uma larga rampa de relva bem tratada e uma casa ao cimo da mesma. “Estrada privada. Proibido avançar”. Ficamos esclarecidos, quando a pretendemos explorar.
Avançamos um par de quilómetros. Novas cascatas. Seguramente mais estreitas, com menor caudal, mas com o triplo da altitude. Viva a diferença.  
Caminhadas fáceis e exigentes trekkings, podemos encontrar de tudo. Aqui, no conjunto dos estados do norte, há mais de 7.000 quilómetros de caminhos mapeados. Com todo o tipo de desafios, adequados às diversificadas exigências, preferências e capacidades. Há um que começa no estado de Nova Iorque e chega ao Michigan. São perto de 2.000 quilómetros. Recorde no país. Todo o tipo de fauna e flora. Não há outro assim.
Estamos em Munising e vamos explorar as “Pictured Rocks”, bem famosas, por estes lados. Agora, nas margens do Lago Superior, que divide o país do Canadá.
Extensas praias de areia fina, falésias esculpidas pela erosão, frondosas cachoeiras, riachos borbulhantes e o calor do sorriso humano destas gentes… Pode pedir-se mais?
“Não leve nada além de fotografias. Não deixe nada, além de pegadas”, diz esclarecedor cartaz.
Deixamo-nos envolver pelo assombroso pôr-do-sol no lago. Uma multiplicidade de cores em tranquilo cenário. Excitante serenidade…
Estas distrações retiram-nos o enfoque na necessidade de encontrar estadia. Sobram indicações de hotéis e motéis. Não nos preocupamos assim tanto. Mas devíamos. Após cinco tentativas, “in loco”, percebemos que iria ser complicado. Teremos feito o dobro das tentativas ao telefone. O mesmo dececionante resultado.
Inspirar. E atacar o buffet livre com que nos mimamos no final deste inspirador dia. No fim, conseguimos encontrar estadia a… 100 quilómetros!! Recuando pelo mesmo caminho que aqui nos trouxera. Acabaríamos por nos enganar no trajeto, o que nos custou uns desnecessários 40 quilómetros extra.
Não queremos saber. Felizes com o que vimos. Inflamados pelo que nos esperava no dia seguinte….

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Este é o primeiro livro de um autor português, Rui Barbosa Batista, que nos leva a viajar por mais de 50 países, dos cinco Continentes, não em formato de guia, mas antes em 348 inspiradoras páginas, 24 das quais com fotografias (81).