– “Rui estás em contramão!! Espera… afinal, estavas. Nãoooo, agora é que ESTÁSSSS!!”, avisa-me um algo confuso Ortega.
Pois é. Conduzir pela esquerda é uma aventura sui-generis. Não recomendável a gente distraída (como eu) ou sensível e avessa a emoções fortes. Há 28 horas que saíra de Lisboa (da caminha, tinha sido há bem mais tempo) e dava tudo por uma cama. Mas estamos a mais de 100 quilómetros desse sonho, distancia entre Joanesburgo e Magaliesburg, onde vai ficar a seleção de futebol neste Mundial2010.

Poucos minutos após abandonar o aeroporto – e depois de saber que nem sempre a esquerda é do lado habitual… tal como a direita – a velocidade deixa de ser de cruzeiro e já chega aos três dígitos. Mas apenas em autoestrada. Aqui, com quatro ou cinco faixas, a única coisa que faz confusão são os inúmeros doidos que cruzam as faixas de um lado para o outro. Um Portugal algo mais caótico. Nas manhosas nacionais é que se torna mais complicado. A cada cruzamento, é um cálculo mental que cansa. Regularmente, vamos tranquila e alegremente em contramão.
(…)
Entretanto, vários dias passam e posso afiançar, garantir e mesmo assegurar-vos de que sou já um verdadeiro campeão nas ‘routes’ sul-africanas. A Estela e o Ortega são, voluntariamente, e sem qualquer tipo de vergonhosa coação, minhas fiéis testemunhas. Acertar com o lado do cinto de segurança e entrar diretamente para o meu lugar é que é mais complicado, mas isso são irrisórios detalhes da vida de um ‘ÁS’ do asfalto.
