“A internet 24 horas por dia é vital para nós. Em Katmandu mudámos de hotel por nos terem mentido. Não vai haver confusão, certo?”
O aviso não podia ter sido mais claro. E fomos assertivos. Ele também.
Finalmente instalados depois de martiricas, mas humanamente compensadoras oito horas enlatados numa “mini bus”, tirámos o pó e fomos explorar Pokhara. Um reconfortante banho, um jantar em local cativante e um regresso ao hotel para pôr tudo em dia com blogue e correio electrónico.
“Lamentamos, mas em 10 minutos não haverá energia. Vão cortar às 23:00. Agora só amanhã de manhã. Por volta das 10:00”, disse-nos o dono do hotel, o tal que nos tinha convencido à saída da carripana que nos trouxe de Katmandu.
Uma palete de roxos, vermelhos e verdes deve ter pintado as nossas faces, a avaliar pela expressão do seu rosto. Multiplicou-se em culpas ao governo, que é o mesmo com todos os hotéis. E um conjunto de mentiras da praxe.
Voltamos à rua quando as trevas chegaram. Com a luz do telemóvel do Vasco. À procura de alternativa.
Com efeito, já sabíamos que há racionalização dos recursos energéticos em todo o Nepal, pelo que só em algumas horas do dia há acesso à electricidade. Foi assim em Katmandu, igualmente deste modo em Pokhara. Mas também é verdade que há vários hotéis com gerador próprio. Imunes a tudo isso. E foi com a garantia de “tudo perfeito” que nos aldrabou. De nada valendo o chá de boas-vindas. Para nos amansar para a tempestade que sabia que viria…
As trevas imperavam no turístico “lake side” de Pokhara. Mas a nossa persistência e a “luz-guia” na mão direita do Vasco trouxeram-nos ao Grandholliday hotel. Dinesh era o responsável nocturno. Acedeu tranquilamente a deixar-nos experimentar a internet. Funcionava. E bem.
“Estejam à vontade. No fim, saiam e batam a porta”, disse. Cumprimos à risca. Depois de termos reservado quarto já para a noite seguinte. Dinhesh deitou-se num banco comprido junto à recepção, uma manta a cobri-lo por completo e assim ficou. Nem o cabelo lhe conseguíamos ver.
A instabilidade política no Nepal – já na segunda mudança de governo no último ano – não ajuda a ultrapassar este problema. Bem pelo contrário.
Todos nos garantem que com os anos as restrições vão sendo ainda maiores… O discurso soa-nos familiar. Mas o nosso regresso à “realidade” ainda pode esperar.

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