À terceira joelhada a mala fecha. Mesmo! Para que, desde o começo, perceba quem manda. Esta é, claramente, a pior parte de qualquer viagem. Lembrar de nada esquecer e, no fim, não esquecer mesmo de nada. Um desafio herculano que… já falhei, pois esqueci o carregador do telemóvel. Que todos os males sejam iguais. Este tem solução. E um lado positivo: poupo umas… 15 gramas!! YESSSSSSSSSS!!!

Deixar este Portugal gostosamente veraneante rumo ao instável planalto sul-africano não é propriamente o ideal, mas tudo tranquilo: vim ‘armado’ para as adversidades, os dias relativamente quentes (20º) e as noites fresquitas (0º).

Se para qualquer homem já é uma dor de cabeça empacotar o ‘Kit-Sobrevivência’, imagine-se faze-lo em dobro (preparado para verão e inverno) e com metade dos recursos para qualquer das estações (a mala tem limite de 20 kg, lembram?). Esta tarefa deixa-me a precisar de férias… Isto, claro está, se não tivesse contado com qualquer ajuda feminina. Pois… confesso, peco. Tenho de partilhar os méritos.

Uma boleia falhada à última hora obriga-me a improvisar e foi o companheiro Francisco (o meu cunhado) a salvar-me, levando-me a Campanhã. Uma rapidinha incursão na Lusa (acho que ninguém percebeu que entrei e saí) faz-me chegar ao Alfa pendular com escassos oito minutos de margem. UFA!!!

Refastelado no lugar 41 (com mesa, virado para a frente) vejo um filme que só recordarei daqui a uns tempos. O Douro desfila à minha direita e a saudade já aperta. Vão ser quase dois meses sem usufruir da cidade que aos 18 me adotou e fez crescer.

Não é, ainda, tempo de pensar na família e bons amigos que impacientemente (mas não muito) esperam pelo meu regresso e anseiam pelas histórias desta aventura. Nem tão pouco para sentir falta da casinha que guarda boa parte das melhores histórias vividas. Ou de lamentar a longa distancia para a saborosa comidinha que preenche todas os meus desejos.

É apenas altura de tratar das últimas questões técnicas e logísticas em Lisboa e de uma conversinha antes do Mundial2010.

A net teima em não funcionar na viagem e aproveito para olhar as praias de Espinho, que, quase desertas, me parecem mais atrativas do que nunca. Pena não ter podido parar para brincar com uma onda ou deixar-me envolver pela maresia…

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