Comboio é o meu transporte favorito, mas este para Chisinau sai apenas uma vez por dia. E é a meio da noite.  Sem qualquer sentido. Incompreensivelmente, Iasi não faz parte das contas de países centrados em torno do umbigo das respetivas capitais: apenas Chisinau e Bucareste estão servidos a horas decentes.

No terminal de ‘marshrutkas’ (carrinhas de transporte mais típicas dos países de Leste) ninguém me sabe dar novidades para Chisinau. Estranho. E o homem do guichet de informações andará a laurear a pevide, pois tem o equivalente ao ‘volto já’ exibido há demasiado tempo. Entretanto, uma decrépita carrinha chega com a desejada placa ‘Chisinau’ e tudo se resolve. Claramente o veículo em pior estado de conservação.

São uns 150 quilómetros, boa parte deles já em território moldavo. A fronteira funciona como uma verdadeira separação entre os países, pois a pobreza logo se instala após os habituais procedimentos alfandegários.

Dentro da viatura, fotografo a fronteira – um velho hábito, proibido, que custa abandonar – mas sou apanhado por um soldado. Que não faz boa cara. Ajo como se ainda não tivesse tirado qualquer foto. Digo-lhe isso, em gestos, pelo que não vem verificar. Certa vez, entre o Burundi e o Ruanda, safei-me pelo facto da máquina estar encravada e não poder recuar na visualização das imagens.

O passaporte é verificado minuciosamente. De ambos os lados da pacata fronteira. Estranham sangue português nestas paragens. Mas não têm por onde pegar. Nem os vejo com atitude arrogante. Em minutos, já saboreio o caminho da verdejante nova nação que nos acolhe.

A Moldávia surge surpreendentemente bela. Antiga, pobre, mas extremamente cativante na sua ruralidade. E como eu gosto destes cenários…

Olga fala bom inglês. Estuda em Iasi, “tal como imensos outros moldavos”, e agora vai visitar a família. Boa conversadora. Situa-nos em termos de religião e rituais ortodoxos. Pede uma ‘selfie’ para mostrar aos familiares e amigos. Custa a sair uma em condições. A marshrutka serpenteia pela estrada em péssimo estado e não conseguimos fixar uma posição. “Fica mesmo assim. Parecerão obras de arte. Será o retrato fiel da jornada”, graceja.

Chisinau não se apresenta como a mais bela das cidades. E o motorista leva-nos para a zona errada: desejo a estação de comboios, mas acabamos no terminal de autocarros. Bem distante. Aqui, o serviço é ao domicílio. Ou quase.

Quando corrige a trajetória e nos leva ao hotel, esquece-se de onde deveria ter parado. Só mais tarde para. E, por gestos, diz-nos que já deveríamos ter saído. Não fala inglês. Mochila às costas e fazemos o restante trajeto a pé. O hotel é dos mais ‘simpáticos’ e mais bem cotados da capital. Embora algo difícil de encontrar. E em rua secundária.

Daniel espera-nos. Bom amigo que já viajou comigo na Birmânia, Uganda, Ruanda, Burundi, Quénia e Etiópia. Um curioso nato com a vantagem de ser médico, sempre uma companhia útil em viagem. Na Moldávia, seremos, então, um trio. Promete…

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