Natural desta região da neve, tinha assinado em Tóquio um contrato como futura gueixa, e não tardou a encontrar um protector que a libertara da sua obrigação, preparando-se para estabelece-la como professora de dança, quando, infelizmente, passados dezoito meses, o protector morreu.

Mas a partir do momento em que se estava a aproximar da existência que agora levava mostrou-se muito mais discreta. Sentia-se visivelmente pouco disposta a abrir-se sobre esta parte da sua vida, sem dúvida a mais atormentada. Confessou a Shimamura ter dezanove anos, mas ele estava mais inclinado a dar-lçhe vinte e um ou vinte e dois.

Não tendo qualquer razão para duvidar da sinceridade dela, ao saber da sua idade, e ao verificar que ela parecia muito mais velha, Shimamura sentiu como que um alívio e readquiriu essa espécie de à-vontade que sentia na presença de uma autêntica gueixa. Quando a conversa veio a incidir dobre o teatro kabuki, Shimmura apercebeu-se que ela sabia muito mais do que ele acerca dos actores dos diferentes estilos, o que lhe causou admiração. Mostrava-se bastante loquaz, falando com uma espécie de precipitação febril, como alguém que tivesse estado muito tempo do interlocutor desejado.

Yasunari Kawabata, Terra de Neve 

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4 Comments

  1. Mariana Antunes

    Uma das viagens da minha vida vai ser visitar o Japão. Texto maravilhoso! Obrigada por compartilhar!

    1. Rui Batista

      Obrigado eu pelas tuas palavras, Mariana 🙂 Beijinho e visita o Japão o quanto antes…

  2. Gabriela Torrezani

    Que lindo Rui, o Japão é transformador, um país de tantos contrastes e simplicidade ao mesmo tempo… parabéns pelo lindo texto!

    1. Rui Batista

      Beijinho e boas viagens… este trecho faz-me recuperar a vontade de voltar a esse belo país…

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