Vale bem cada metro do tormento que é chegar aqui por via terrestre. Má estrada nos últimos 50 quilómetros, com paisagens sublimes. Agrestes, ferozes. Presença humana primitiva. Tirando as roupas, neste fim de mundo vive-se como há 2.000 anos.Casas em palhota, sem eletricidade e aquecidas a fogueira. Nascem, vivem e morrem pastores, pelo que os encontramos de todas as idades. Animais com rédea solta. Ruralidade que ganha contornos  mais violentos com o atual período de seca.Assentei arraiais no 7 Olives. O Octávio e a Inês garantiram-me que foi a única internet em condições que encontraram na Etiópia. Funcionou maravilha no primeiro dia, bloqueou no segundo. Ao contrário da água quente que começou por falhar. Com mudança de quarto tudo se resolveu. A igreja precisa ter mais cuidado com seu muito bem pago património. O restaurante é fantástico e a esplanada ainda melhor. Mais do que a vista, a sinfonia de animais que nos relaxa entre a folhagem que envolve o espaço. Na última noite  a três, entramos seduzidos por música étnica local. Entramos. Espaço escuro. Exíguo. Vocalista toca instrumento com apenas uma corda. Acompanhado por donzela em tambor também com sonoridade local. Todos cantam. Alguns dançam. Acabamos na minúscula e improvisada pista a tentar imitar a sua genuína dança. Com os ombros e cabeça no papel principal. Youtube vale bem uma visita.
Noite fantástica, mas há que recolher. Bill Sorridente e Daniel partem de madrugada. Agora estou só. Até ao fim.O pó e pobreza dominam a cidade, sujeita aos caprichos de relevo bem acidentado. Por 50 dólares visitarei  as igrejas património mundial. Fica para mais tarde, o relato. Tal como o da inesquecível visita ao mercado.  O primeiro dia a solo é intenso. Decido desfazer a barba em estabelecimento local. Pagarei 20 cêntimos por a desfazer com máquina de cortar cabelo. Nada de lâminas usadas nesta penugem  de demasiados dias de preguiça. A minha presença, nada inconsciente, chama a atenção e juntam-se duas dezenas a porta do boteco. Todos metem conversa enquanto espero. Momentos de bom humor. E risos quando me vêem, em pé, a fazer o serviço sozinho com a máquina do cabelo.Saio e logo sou desafiado para ténis de mesa. Ao ar livre. Mesa repleta de imperfeições. As raquetes carcomidas. Uma lotaria. Levo uma coça no primeiro jogo. Surpreendo a súbita multidão ao ganhar o segundo. Pressão em quem joga em casa. Quer a desforra. Um terceiro elemento diz que quem perde pagará ao vencedor. Digo que não jogo a dinheiro. Fica inexplicavelmente violento. Apenas nas palavras. Entrego-lhe a raquete quando lidero por um ponto. Cumprimento adversário e sigo caminho. A noite é espessa  devo regressar ao 7 Olives. Madrugarei, pois o autocarro parte às 05h00. E terei ainda meia hora de mochila para lá chegar, na penumbra. Apenas com a testemunha de fantástico céu estrelado e quatro ocasionais pastores nómadas….

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“BORN FREEE – O Mundo é uma Aventura”

Este é o primeiro livro de um autor português, Rui Barbosa Batista, que nos leva a viajar por mais de 50 países, dos cinco Continentes, não em formato de guia, mas antes em 348 inspiradoras páginas, 24 das quais com fotografias (81).