Surpreende, evidentemente, a fatiota janota com que a polícia se aperalta para receber estes I Jogos Europeus. Não falo dos agentes que patrulham a cidade, dos que se pavoneiam nos cerca de 200 novíssimos BMW com que as autoridades se equiparam, nem dos que controlam as entradas em todos dos perto de 20 recintos desportivos e aldeias ‘olímpicas’ de jornalistas e atletas.
Cinzento claro, corte moderno, ao melhor estilo dos que ditam as tendências da moda. A pose combina com a nova indumentária: altiva, limpa, elegante. Bom, mais ou menos. Nem todos cabem no traje com a mesma… graciosidade.
Uma suposta eficiência junta-se ao cenário. O controlo do Raio X – para que ninguém se atreva a transportar materiais proibidos – é minucioso, embora nem sempre coerente. Em alguns lugares, ‘siga para bingo’ sem grandes delongas. Em outros, obrigam a ligar e desligar o computador, além de examinarem, rigorosamente, tudo o resto.
O regime azeri ao melhor estilo. Para que as pessoas se sintam seguras? Para mostrarem que não brincam com a segurança? Para intimidar? Tudo isto junto?
Não interessa. Os dias passam e o cenário vai-se alterando. Com naturalidade. Não há rigidez que não amoleça. Como pedra dura a ser moldada por descontraída água mole…
Turnos de 12 horas, plantados no mesmo lugar, são tortura que nem o mais profissional agente aguenta. Pior ainda se as revistas são feitas a gente sorridente, feliz por estar a experienciar estes Jogos Europeus.
Resultado? As fatiotas, já nem sempre refletem o mesmo esplendor. A postura corporal anda muito menos… assertiva. Há quem já durma com a cabeça repousada em cima das mesas. As camisas e gravatas não estão engomadas. Os colarinhos mudam de cor. Há quem se refresque despejando água nos pés. Os tempos mortos passam-se agarrados aos smartphones. As agentes retocam a maquilhagem ali mesmo. Algumas descansam sentadas, descalças dos seus saltos altos.
Estou preocupado. Há já vários dias – demasiados – que não ‘apito’. E, no raio X, juro que ando sempre com o mesmo material: portátil, camara, microfone, cabos, baterias, telemóvel… e umas ‘sandochas’ que me salvam algumas horas do dia. Até a tecnologia se anda a baldar??
Na verdade, gosto mais deste sublime desmazelar. O regime não tem, definitivamente, boa fama. Agrada-me saber que quem o sustenta, a máquina de ‘guerra’, afinal, tem tiques… humanos. .

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