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Fronteira Congo – Ruanda
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Entrar na imunda zona de inspeção sanitária não é boa ideia, até porque ninguém nos pede para o fazer. Também não chega a ser incómodo, mas logo nos mostra o que esperar de um país tão imenso, quanto  corrupto.
“Não têm o boletim  de vacinas? Então não podem entrar. A menos que paguem 20 dólares cada. Só vão um dia? Então podem ser apenas dois”, diz-nos uma das duas feirantes. Perdão, funcionárias fronteiriças. Não confundo a nobreza das profissões.  
Ficam a falar sozinhas. Abandonamos o minúsculo barraco e avançamos. Na hora de mostrar o passaporte, bem vestidinho responsável sai do edifício decadente e toma conta dos documentos. Seguimo-lo para o interior onde dormem dois dos quatro funcionários. Um no atendimento ao publico – tudo cidadãos humildes, rurais – e uma outra com aspecto de chefe de serviços. De boca aberta, recostada.
Fala connosco em tom superior, enquanto, relaxados e nada submissos, vamos preencher o amarrotado e nada esmerado formulário de entrada no país. Há calo de sobra nestas situações para nos conseguir intimidar. Apalpa o pulso e entende que não vai lá sozinho.
Vem cá fora e regressa com um corpulento e fanfarrão compincha de extorsão. Vamos para uma sala sem testemunhas e, sem nos ouvir, da logo o sermão completo sobre o facto de não termos visto. Ê como começar um jogo de futebol já a ganhar por 3-0.
“Agora só pagando 300 dólares cada para o visto. É o preço e nada podemos fazer”, sentencia. Serenos, respondemos que apenas queremos ir conhecer e experienciar Bukava. Dar um giro e almoçar.
“Queremos mesmo muito ajudar-vos, mas são as regras e os valores. Somos um país muito caro”, avisa. Não vamos na cantiga.
“Por um só dia podem ser 100 dólares. Mas estamos a colocar em risco o nosso posto de trabalho”, atalha.
Sou o único que não domina o francês na perfeição, mas faço-o entender que não temos meios para almoço tão dispendioso.
“Então quanto podem pagar? “. Temos 100 dólares e temos mais algum para comer. Batem o pé nos 50 dólares para cada um. “Sem dinheiro para  almoçar,  não avançamos. Até podemos ir à cidade, mas tu vens connosco e pagas o almoço”, riposto. E sorrio com o à vontade de quem nada deve. Nem teme.
Continuam a falar em congolês.  Mudam o semblante. O fanfarrão – não gostamos mesmo nada dele – sai da sala. Segundos depois o bem vestidinho, novamente na versão arrogante, diz-nos para o acompanharmos. Indica-nos a porta de saída do país.
“Já podem dizer que estiveram no Congo”, desdenha. “Tem um resto de boa vida”, retorqui. Com sorriso cândido. Indecifrável.
(Regressamos à descontraída fronteira do Ruanda sem carimbo. Em segundos estamos livres.  Sem controlo das autoridades).
Entrar no esquema e suborno fronteiriço é alimentar a corrupção que afunda África… E outras zonas do Mundo. Temos muita – mesmo – pena de falhar Bukava. Estaremos novamente perto de uma outra fronteira do Congo, mas nada há do outro lado a cativar-nos. É tempo de refazer planos e avançar…

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